"BEM VINDOS AO BRASIL, onde novela, carnaval e futebol são mais
importantes que educação, saúde e segurança."
Hora! Primeiro preciso dizer que dificilmente me agrado
desses jpeg's criados por páginas de nomes duvidosos que brotam no Facebook. O
amigo compartilha, o outro para se dizer culto, 'antenado' e politicamente
preocupado compartilha também.
Além dos três estarem conectados a rede social, outras
coisas ligam esses usuários. A primeira é que provavelmente todos estão
preocupados em se popularizar, em passar uma boa imagem. E a segunda e mais
preocupante é que os três fizeram isso sentados numa cadeira, da qual não
saíram. É o típico e popular “Quer mudar o mundo com a bunda colada na cadeira”.
É claro que eu também escrevo sentada (na verdade agora
deitada, num momento de insônia, escrevendo pelo bloco de notas do meu smartphone). Mas continuando o
raciocínio...
A frase diz: BEM VINDOS AO BRASIL, onde novela, carnaval e
futebol são mais importantes que educação, saúde e segurança.
Como comunicadora, digo com propriedade de causa que 'o
país' só exalta aquilo que seu povo clama. A mídia gira em torno do que o povo
aprecia, aprecia dando audiência, comentando, comprando e consumindo.
Isso explica os
patrocínios bilionários ao futebol e carnaval, os segundos milionários no
horário nobre, e os merchans durante
as novelas. Tudo girando pelo consumo, pela lei do varejo, da marca, do vende
mais quem aparece mais.
Num país em que criticar é culto, todos criticam e pouco se
faz. Tem quem critica os patrocinadores do futebol, e quem critica os
apoiadores de uma ONG que divulgam na mídia essa 'boa ação' como se enxergasse
ali um alto promoção desnecessária.
Assumindo que somos e sempre seremos uma sociedade capitalista.
Quero dizer que é fácil criticar dizendo que nosso país tem X ou Y mais
importante, quando todos nós fazemos parte dele.
Enquanto novelas, futebol e carnaval, dominarem os Trend
Twittes, os inúmeros jpeg's compartilhados, as conversas, as discussões, a
maior audiência da TV, o maior caderno do jornal e os melhores programas do rádio,
seremos sim o país que mais exalta esses assuntos.
Essa semana muito se falou de NFL e Super Bowl e tive que
comparar. Nos Estados Unidos o futebol americano tem sim uma visão massificada
e gira toda uma indústria de lucro. A diferença está na cultura de base desse
evento.
Garotos crescem sonhando em jogar uma final do Super Bowl,
para chegar ali jogam nos times das suas escolas, onde recebem incentivos para
estudar. Onde as empresas que mais tarde estarão nos telões do mais caro evento
esportivo do mundo, patrocinam a escola, o time, dão ajuda de custo para que
esse garoto não precise trabalhar e assim possa se dedicar inteiramente a
escola e aos treinos de futebol. Quando jovem, as universidades buscam esse
estudante para ingressar no time da mesma, e compor o grupo de universitários.
Esse jovem é destinado a jogar e estudar.
Francamente não sei dizer com propriedade se na pratica tudo
ocorre tão bem como na teoria americana, mas eis aí um bom modelo a ser
seguido. Vamos patrocinar primeiro a educação, a saúde e a segurança e como
consequência ter o melhor futebol, a melhor estrutura de saúde e segurança para
acudir os bêbados e baderneiros do carnaval e a cabeça tranquila para apreciar
o entretenimento das novelas.
Gostaria de me estender, enfatizar que hoje nosso país já
tem leis de incentivo ao esporte, cultura, saúde, educação, segurança e meio
ambiente. Empresas interessadas em apoiar projetos dessas secretarias recebem
dedução de imposto e ainda ganham espaço para divulgar a marca nos locais e
eventos promovidos pela mesma.
Porém, no país onde também reina a corrupção e muitos, se
quer, procuram conhecer esses projetos, pois se assustam com a palavra “impostos”
com medo de cair na malha fina da Receita Federal, atrelada a falta de
divulgação da mídia, tudo continua na mesmice, como sempre foi.
Estamos sentados na cadeira esperando a próxima Copa do Mundo, o próximo carnaval e a próxima novela das 9!

não comentou os erros de português existentes na placa.
ResponderExcluirpor que?