Tanto se falou essa semana da privacidade nas redes sociais. Li tanta coisa, e não vou mais cair no clichê das criticas, é apenas uma constatação pessoal. Ok?
Observando percebi o quanto estamos presos as 'noticias' que as redes sociais nos fornecem. Notícia entre aspas para não dizer fofoca na telinha azul e branca.
Já pensou como você sabe muitas coisas a respeito dos seus amigos? Só esse fim de semana eu soube quem está grávida, quem noivou, quem terminou o namoro, quem viajou, inclusive para onde e com quem. Soube quem foi no médico, hospital, quem está de luto, quem ficou em casa no sábado a noite, quem saiu, e quem até como eu foi no Parque (e graças ao tão criticado check-in pude encontra-lá).
Essa noite mesmo sonhei com uma amiga muito especial que não vejo a vários meses. Ela faz aniversário essa semana, e talvez seja alguma percepção minha, ou apenas saudade. Quando acordei peguei o celular e vi dois posts dela. Aquilo já soou como: --Está tudo bem viu! E na hora passou minha necessidade de ligar.
Conto isso para refletirem o quanto nos afastamos dos amigos, o quanto nos acomodamos, o quanto nos conformamos com informações dadas da maneira que o amigo quer passar.
Estamos perdendo o tato do abraço. Ou aquela percepção de um amigo que sabe ao olhar quando você está bem ou mal.
É claro que temos um amigo, ou um grupo de amigos que saímos sempre, que vemos sempre, que está na nossa lista principal de bate papo. Mas repara se esse amigo não é quase sempre alguém que de certa forma está inserido na sua rotina, e por isso se vêem e se falam sempre.
Quando esse amigo sai da zona de conforto, você volta as atenções para a rede social que é responsável por 'manter' o contato.
Eu temo os efeitos que o uso exagerado dessa rede pode proporcionar. Pessoas reclusas, presas as suas páginas, seus computadores, contentes com a realidade embaçada que a rede social oferece.
Não se marca mais um simples sorvete no shopping com um grupo de amigas do tempo da escola. Não tem mais uma curiosidade que incentive esse encontro, pois é possível saber de tudo por aqui antes dela contar. Aliás, é possível ver até mais detalhes. Por exemplo: Se ela conta que está namorando você já entra no perfil do namorado, dá sua opinião sobre a beleza, observa opção religiosa, onde trabalha, família, tem aquelas que até dão um toque "Olha tem uma piriguete curtindo tudo que ele posta". E a propósito porque vocês não colocaram relacionamento sério ainda?
Sentiram? Não teve aquele contato, não há como saber se o olho dela brilha quando fala dele. Se ela está com aquele sorriso de orelha a orelha, que como diria minha mãe 'alegra até as plantas'. Você sabe o que e o quanto quis ver ao “fuçar”, e não o quanto ela contou.
Se você consegue manter uma relação pessoal com a maioria dos seus amigos, parabéns! Você ainda não ficou escravo da rotina de trabalho, estudos, casa, e se contenta com o que vê apenas na internet com a desculpa de que não tem tempo. (Aqui poderia falar das horas que fica na frente do computador, e como não se importa, pois está no conforto da sua casa).
Agora se você fala muito que está sem tempo comece a se preocupar. O destino mais certo de quem opta por trocar o pessoal pelo virtual é continuar horas na frente da telinha azul e branca, sabendo muito e vivendo pouco.
Viva o corpo a corpo!
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